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Assembleia-Geral

Em discurso na ONU, Bolsonaro diz que o Brasil é alvo de campanha de ‘desinformação’ sobre questão ambiental

O presidente Jair Bolsonaro culpou índios e caboclos pelas queimadas e defendeu a política do governo em relação à pandemia.

22/09/2020 22h05Atualizado há 1 mês
Por: Edição Paula Andréas
Fonte: G1
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Na abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas, o presidente Jair Bolsonaro defendeu a política do governo em relação à pandemia e ao meio ambiente. Num discurso polêmico, ele disse que o Brasil é vítima de campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal.

Pela primeira vez nos 75 anos da Organização das Nações Unidas, os líderes mundiais não se reuniram em Nova York. Por causa da pandemia, o plenário da assembleia-geral, que tem capacidade para duas mil pessoas, recebeu menos de 200 diplomatas. Governantes participaram por vídeo. Seguindo a tradição, o presidente do Brasil abriu os debates.

No início, os diplomatas no plenário não conseguiram ouvir a tradução para o inglês, e a exibição do vídeo foi interrompida. Problema resolvido, Jair Bolsonaro começou o discurso com uma defesa das ações do governo na pandemia. E disse que lamenta as mortes.

“Em primeiro lugar, quero lamentar cada morte ocorrida. Desde o princípio alertei, em meu país, que tínhamos dois problemas para resolver: o vírus e o desemprego, e que ambos deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade”.

Bolsonaro repetiu o tom crítico à imprensa e às medidas de isolamento social defendidas pelas autoridades sanitárias da OMS e do próprio Ministério da Saúde.

“Por decisão judicial, todas as medidas de isolamento e restrições de liberdade foram delegadas a cada um dos 27 governadores das unidades da Federação. Ao presidente coube o envio de recursos e meios a todo o país. Como aconteceu em grande parte do mundo, parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população. Sob o lema “fique em casa e a economia a gente vê depois”, quase trouxeram o caos social ao país”.

O presidente apresentou então uma lista de medidas do governo que, segundo ele, evitaram um mal maior. Disse que o auxílio emergencial beneficiou 65 milhões de pessoas. Citou o socorro a pequenas e microempresas, compensações de perdas de receita de estados e municípios e descreveu a visão do governo sobre a saúde pública na pandemia.

“Nosso governo assistiu mais de 200 mil famílias indígenas, com produtos alimentícios e prevenção à Covid. Estimulou, ouvindo profissionais de saúde, o tratamento precoce da doença. Destinou 400 milhões de dólares para pesquisa, desenvolvimento e produção da vacina de Oxford no Brasil. Não faltaram, nos hospitais, os meios para atender aos pacientes de Covid”.

O presidente destacou o sucesso do agronegócio brasileiro e voltou a elogiar a política ambiental do país.

“Somos vítimas de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal. A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil”, disse.

"Somos líderes em conservação de florestas tropicais (...). Garantimos a segurança alimentar a um sexto da população mundial, mesmo preservando 66% de nossa vegetação nativa e usando apenas 27% do nosso território para a pecuária e agricultura”.

Sobre os incêndios na Amazônia e no Pantanal, o presidente disse que parte deve-se a atividades de sobrevivência das populações nativas e parte ao calor.

“ Nossa floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior. Os incêndios acontecem praticamente nos mesmos lugares, no entorno leste da Floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas”, afirmou.

“Os focos criminosos são combatidos com rigor e determinação. Mantenho minha política de tolerância zero com o crime ambiental (...) O nosso Pantanal, com área maior que muitos países europeus, assim como a Califórnia, sofre dos mesmos problemas. As grandes queimadas são consequências inevitáveis da alta temperatura local, somada ao acúmulo de massa orgânica em decomposição”.

Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil defendeu na ONU a criação de um mercado de carbono para combater as mudanças climáticas, mas que foi voto vencido. E citou o derramamento de óleo no litoral do nordeste brasileiro.

“Em 2019, o Brasil foi vítima de um criminoso derramamento de óleo venezuelano, vendido sem controle, acarretando severos danos ao meio ambiente e sérios prejuízos nas atividades de pesca e turismo”.

O presidente afirmou que o Brasil é referência no campo dos direitos humanos e citou o acolhimento de quase 400 mil refugiados venezuelanos.

A história das Nações Unidas se mistura à história da diplomacia brasileira. Desde 1947 o Brasil abre os debates gerais. No discurso, o presidente Bolsonaro citou o papel do Brasil nas relações internacionais e o compromisso do país com a ONU

“Como um membro fundador da ONU, o Brasil está comprometido com os princípios basilares da Carta das Nações Unidas: paz e segurança internacional, cooperação entre as nações, respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais de todos”.

O presidente defendeu os acordos comerciais com a União Europeia, que tem enfrentado resistência em países da Europa críticos à política ambiental brasileira.

 

“Seguimos comprometidos com a conclusão dos acordos comerciais firmados entre o Mercosul e a União Europeia e com a Associação Europeia de Livre Comércio. Esses acordos possuem importantes cláusulas que reforçam nossos compromissos com a proteção ambiental”.

Bolsonaro afirmou que o Brasil repudia o terrorismo e defende a democracia na América Latina, manifestou solidariedade com o povo libanês por causa da explosão em Beirute que deixou mais de 200 mortos e encerrou o discurso elogiando o acordo diplomático firmado entre Israel, Emirados Árabes e Barein - e mediado pelos Estados Unidos.

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