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Acesso Negado

PF prende jornalista suspeito de atrapalhar investigação sobre desvio de recursos do Fundeb

Jornalista Tony Trindade foi preso nesta terça-feira (18). A assessoria de imprensa do jornalista informou que, ao divulgar informações sobre a operação, ele "apenas fez o seu dever de jornalista e formador de opinião".

18/08/2020 15h14
Por: Edição Paula Andréas
Fonte: G1
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Foto: Arquivo/180graus
Foto: Arquivo/180graus

O jornalista Tony Trindade foi preso na manhã desta terça-feira (18) durante a Operação Acesso Negado, realizada para combater tentativas de atrapalhar as investigações de uma outra investigação, a Operação Delivery. Esta apurava desvios de recursos públicos da educação da cidade de União. Nesta terça, os policiais buscam ainda fazer buscas em cinco endereços em Teresina e Monsenhor Gil.

A assessoria de imprensa do jornalista informou que ele "apenas fez o seu dever de jornalista e formador de opinião". E que o jornalista teria sido preso pela "relação com suas fontes". Leia a íntegra da nota ao fim da reportagem.

A Polícia Federal informou que identificou atitudes para obtenção de informações sigilosas, além de investigados tentando combinar depoimentos, e tentativa de intimidação da investigação policial. A PF não especificou como aconteceram as tentativas.

Há ainda cinco mandados de buscas para endereços em Teresina e Monsenhor Gil. Os policiais procuram colher provas que identifiquem as pessoas responsáveis por entregar informações sigilosas sobre investigações, e verificar se a investigação da operação Delivery foi de fato prejudicada. O jornalista teria tentado obter informações sigilosas da investigação.

Os investigados podem responder pelo crime de embaraço a investigação policial de crime praticado por organização criminosa. A pena pode chegar a 8 anos de prisão.

A assessoria de imprensa do jornalista informou que ele "apenas fez o seu dever de jornalista e formador de opinião". E que o jornalista teria sido preso pela "relação com suas fontes". Leia a íntegra da nota abaixo:

NOTA À IMPRENSA

A assessoria de imprensa do jornalista Tony Trindade considera oportuno esclarecer fatos a respeito da Operação “Acesso Negado”, deflagrada nesta terça-feira (18) pela Polícia Federal, em Teresina, Monsenhor Gil e União e que resultou na prisão preventiva do jornalista.

Conforme nota divulgada pela própria PF, a operação investiga “atos ilegais de intervenção/embaraçamento” à investigação de desvios de recursos públicos destinados à educação na cidade de União, cabe ressaltar que na qualidade de apresentador de programa de televisão e colunista de jornal, Tony Trindade ao veicular fatos da operação, apenas fez o seu dever de jornalista e formador de opinião.

O mandado de prisão preventiva a título de frear a divulgação de informação soa descabido e desproporcional, uma vez que o jornalista sequer foi ouvido pela autoridade policial antes da condução.

É temoroso ao exercício profissional, que jornalistas sejam presos por relações com suas fontes, relações essas que são asseguradas pela própria Constituição Federal.

Tony Trindade coloca-se à disposição das autoridades, certo de que atos ilegais não prosperarão com o aval da justiça.

Assessoria de imprensa

 

Operação Delivery

 

PF faz buscas na Prefeitura da cidade de União, no Piauí. — Foto: Divulgação/PF-PI

PF faz buscas na Prefeitura da cidade de União, no Piauí. — Foto: Divulgação/PF-PI

A Operação Delivery foi deflagrada em maio de 2020, com o objetivo de apurar a suspeita de desvio de recursos públicos da educação destinados ao município. Cinco pessoas foram presas, entre empresários, agentes públicos municipais, um vereador da cidade e incluindo o secretário de educação da cidade de União, Marcone Martins, que foi exonerado pela Prefeitura de União.

De acordo com o inquérito policial, a Secretaria de Educação de União teria adquirido livros escolares em quantidade maior que o número de alunos do município, utilizando verbas do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) para a contratação de empresas fictícias de Fortaleza, que seriam responsáveis pelo fornecimento fraudulento do material didático.

Ainda segundo a nota, análises da CGU apontaram que os contratos superfaturados utilizados para a obtenção do dinheiro apreendido geraram ao Fundeb prejuízo mínimo de R$ 500 mil.

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