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Saúde

Redução de anticorpos contra a Covid-19 pode ocorrer em até três meses, diz estudo

Em abril, a OMS disse que os chamados "passaportes de imunidade" não devem ser usados como estratégia para flexibilizar as quarentenas contra o coronavírus.

25/06/2020 09h01
Por: Edição Paula Andréas
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Pessoas que tiveram Covid-19, com ou sem sintomas, apresentam queda nos níveis de anticorpos contra a doença entre dois e três meses após a infecção, aponta uma pesquisa publicada na última semana na revista científica Nature Medicine.

O estudo conduzido na China analisou 37 pessoas assintomáticas e 37 com sintomas moderados. Todas tiveram a infecção confirmada com o teste RT-PCR, considerado padrão-ouro para a detecção da doença.

Os pacientes foram analisados até oito semanas após deixaram o hospital. Segundo os pesquisadores, a maioria teve redução de anticorpos IgG, que indicam que a infecção ocorreu há mais tempo, podem durar bastante no sangue e, por isso, são considerados um bom marcador de imunidade.

Além disso, os anticorpos IgG estavam abaixo do nível detectável em 40% dos voluntários assintomáticos e em 13% dos sintomáticos. A redução dos níveis de anticorpos pode ter implicações nas estratégias de imunidade e nas pesquisas sorológicas que vêm sendo conduzidas.

"Os dados indicam os riscos do uso de passaportes de imunidade para a Covid-19 e dão suporte à continuidade de medidas de intervenção de saúde, incluindo distanciamento social", afirmam os autores da pesquisa.

Em abril, a OMS disse que os chamados "passaportes de imunidade" não devem ser usados como estratégia para flexibilizar as quarentenas contra o coronavírus. O documento divulgado na época, que reviu 20 estudos científicos, disse que "não há evidências de que as pessoas que se recuperaram de Covid-19 (doença provicada pelo coronavírus) e tenham anticorpos estejam protegidas contra uma segunda infecção".

O risco é que pessoas com resultado positivo no teste passem a ignorar conselhos de saúde público, por se considerarem imunes a uma segunda infecção. De acordo com o infectologista Leonardo Weissmann, consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), o estudo ainda não traz respostas definitivas, mas levanta pontos sobre uma possível segunda onda da pandemia a partir de reinfecções.

"O estudo sugere que não dá para confiar numa imunidade duradoura", afirma Weissmann. Os pesquisadores também analisaram as tomografias computadorizadas dos pacientes assintomáticos. Pacientes com Covid-19 grave costumam apresentar um padrão de vidro-fosco em suas tomografias pulmonares. Nas pessoas assintomáticas que participaram do estudo, 16 (pouco mais de 40%) não apresentaram quaisquer traços anormais.

O ponto mais importante do estudo, segundo Weissmann, é que mesmo as pessoas que já tiveram Covid-19 precisam continuar com as medidas preventivas, como evitar aglomerações, usar máscaras e higienizar as mãos.

De toda forma, são necessários estudos mais amplos para se ter conclusões mais sólidas sobre a imunidade relacionada ao Sars-CoV-2.



Fonte: Folhapress 

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