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Ex ministro

Ciro Gomes critica Bolsonaro e diz que Piauí ainda pode barrar coronavírus

O ex-ministro afirmou que as pessoas precisam entender que o isolamento atinge a economia e que cabe ao governo socorrer a população durante a medida.

13/05/2020 15h16
Por: Edição Paula Andréas
Fonte: Cidade Verde
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Foto Divulgação
Foto Divulgação

Ao contrário do Ceará, o Piauí ainda tem boas condições de barrar a disseminação do coronavírus sem provocar o colapso na saúde. Foi o que disse nesta quarta-feira (13), o ex-ministro Ciro Gomes, durante entrevista à TV Cidade Verde. Ontem, o estado chegou a 1.612 casos confirmados de covid-19 e oito mortes em apenas 24 horas, totalizando 57 óbitos.

“Quando nós entramos na pandemia o Brasil só tinha 40 mil leitos registrados entre públicos e privados. Se apenas 100 mil pessoas forem ao hospital ao mesmo tempo no Brasil, nós só temos leitos para a metade. A pessoa morre como se estivesse afogando. É uma morte horrorosa. A doença atinge jovem, velho, pobre e rico. O isolamento social é a única saída de a gente impedir de isso acontecer. Vocês no Piauí têm 1.612 casos confirmados, mas ontem já registrou o maior recorde de mortes em 24 horas: oito. Graças a Deus ainda está em tempo de vocês segurarem a barra”, afirmou, ressaltando que a covid-19 é uma doença de rico.

“É uma doença que começa entre os ricos. Ela foi importada pelo brasileiro que podia viajar para o estrangeiro. Fortaleza, como o piauiense sabe, é uma cidade que recebia mais de 12 mil pessoas por semana do estrangeiro, por isso explodiu mais cedo que em vários lugares”, acrescentou.

Ciro disse que a situação em Fortaleza é tão grave que foi preciso o isolamento total, o chamado lockdown. “Aqui (Fortaleza) nós estamos da mão para a boca: abre dez leitos de UTIs, ocupa todos os dez e fica 40 pessoas sem leito. Abre hospital de campanha e não acompanha, por isso que já estamos na outra fase que é o lockdown, que na verdade é um isolamento a força que teremos que fazer para salvar vidas”, disse.

O ex-ministro afirmou que as pessoas precisam entender que o isolamento atinge a economia e que cabe ao governo socorrer a população durante a medida. “São dois lados da mesma moeda. A gente tem que entender que o isolamento social vai colapsar a economia. Não é o Brasil é no mundo inteiro. E se ele vai colapsar a economia só tem uma saída: o governo, que tem que promover o isolamento social, indenizar as pessoas e cobrir as empresas para diminuir ao máximo os efeitos disso. Aí é onde está o grande crime de um presidente desorientado como o Bolsonaro. Desculpa eu dizer”, criticou.

Ciro Gomes defendeu a indenização das famílias e socorro às empresas. “Indenizar é fazer chegar às famílias dinheiro para elas comerem. A gente tinha que ter feito isso com o cartão de débito mandado pelo Correio para não ter aglomeração e, ao invés de duas parcelas, fazer em apenas uma. Sobre as empresas, tinha que cobrir com prazo de dilação de recolhimento de impostos e com crédito para o capital de giro mediante a condição de que elas mantivessem seus trabalhadores”, comentou, defendendo o isolamento radical como forma de ajudar a economia a ter menos efeitos.

“A única saída de você rapidamente resolver o problema econômico é fazer o isolamento radical. O Brasil é o país que menos testa no mundo inteiro. Se fizesse em 15 dias o isolamento total, acabava o pico. A gente tem que indenizar as pessoas para que elas fiquem radicalmente em casa e dar condições para as empresas. Se não vai ser 3 meses, 7 meses e o desastre será maior. O Bolsonaro está é agravando a economia. Todo mundo vai ver isso. Quando a gente chegar em setembro vamos ter um luto de pessoas e a maior crise disparado da história do Brasil. Vai ser o dobro da média de crise que o mundo vai assistir”, afirmou.

Sobre medidas para ajudar estados e municípios, Ciro diz que a Câmara Federal fez o correto e criticou o Ministério da Saúde. "A Câmara fez o correto, já que quem enfrenta a pandemia na linha de frente são estados e municípios. Quem encara o paciente são estados e municipios. A doença está migrando para o interior e não estamos testando. O Ministério da Saúde não está fazendo nada. O plano que eles lançaram em março era fazer dois mil leitos de UTIs e não entregaram 400. O plano era de dois milhões de testes e não fizeram nem 300 mil testes. Sem o teste você não tem orientação", disse, mais uma vez criticando Bolsonaro, desta vez sobre uso da cloroquina.

"Eu nunca vi politico na televisão prescrever remédio. Na pandemia nós estamos fazendo tudo errado. Até o impeachment é uma solução heróica que é ruim. Não que ele não mereça, pois já cometeu crime de responsabilidade, mas é porque demora 6 meses e deriva energias que devem ser focadas para ajudar a salvar a vida e o emprego da população", finalizou.

Hérlon Moraes/CidadeVerde

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