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Feminicídio

Ato critica soltura de acusados de feminicídios e critica decisões judiciais

Nos últimos dias, dois acusados de assassinar mulheres foram soltos após o juiz alegar que as prisões preventivas excediam o tempo de reclusão permitido Código Processual Penal (CPC).

28/01/2020 10h16
Por: Edição Paula Andréas
Fonte: Cidade Verde
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Familiares de vítimas de feminicídio em Teresina se uniram hoje em manifestação na frente do Tribunal de Justiça do Piauí. As famílias e entidades em defesa da mulher criticam a “morosidade” da justiça no julgamento de casos de feminicídio. 

Nos últimos dias, dois acusados de assassinar mulheres foram soltos após o juiz alegar que as prisões preventivas excediam o tempo de reclusão permitido Código Processual Penal (CPC). 


Um dos acusados que tiveram a prisão relaxada foi Paulo Alves dos Santos, apontado como autor do feminicídio da então namorada, a cabeleireira Aretha Dantas, em maio de 2018. 

A irmã de Aretha, Aline Dantas, disse que a “ficha” da família ainda “não caiu” e afirma que o sentimento diante da soltura do acusado é de tristeza.

Foto: Roberta Aline/ Cidadeverde.com

“A gente sabe que nada vai trazer ela de volta, mas a gente quer que pelo menos a justiça seja feita e ele seja logo julgado e preso novamente. O juiz precisa rever essa decisão”, pede Aline.

O pai da enfermeira Vanessa Carvalho também participa do ato. A jovem morreu ao ser atropelada pelo namorado de uma amiga após uma festa de casamento na zona Leste de Teresina, em 2019. Pablo Henrique Campos foi indiciado por feminicídio. Segundo a Polícia Civil, ele nutria “ódio” por Vanessa. 

“Essas solturas contribuem para a impunidade. Não era nem para a gente está aqui. A polícia faz a parte dela e era para a justiça fazer a dela também. A sensação é que esse prédio do Tribunal de Justiça só existe no sentido figurado”, critica Edson Carvalho. 

A família ainda aguarda o resultado da audiência de instrução e julgamento do acusado. 

Madalena Nunes, da Frente Popular Contra o Feminicídio, ressalta que a luta contra a morte de mulheres têm que ser uma pauta permanente. A entidade crítica a “morosidade” da justiça e questiona o motiva da demora desses julgamentos. 

“Estamos manifestando nosso repúdio ao juiz Antônio Noleto . Justiça que não chega ,não existe. Passa a ser injustiça. O juiz tirou da prisão o assassino da Aretha. Um assassinato cruel. Ele achou pouco e ainda passou um carro por cima dela. Ontem também soltou o assassino da Marlucia. Se a justiça demora para as mulheres , por que não demora pra periferia? É uma forma de banalizar a morte de mulheres.  Não quero assistir a morte de nenhuma mulheres nesse estado. Exigimos que seja marcado o tribunal o júri popular de quem mata mulheres”, disse Nunes. 

 

 


Flash Izabella Pimentel

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