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Conquista

Alexia: A primeira trans a conseguir mudar o nome do registro civil em Luzilândia

Direito foi garantido por decisão do Supremo Tribunal Federal e regulamentado pelo CNJ no ano passado.

24/11/2019 23h36Atualizado há 2 semanas
Por: Edição Paula Andréas
Fonte: Jornalista Paula Andreas
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A universitária luzilandense Alexandra Freitas de Sousa, conhecida como Alexia, conseguiu no ultimo dia 20 de novembro mudar seu nome no registro civil em Luzilândia. Alexia, que antes era Alexandre, destaca a importância, as dificuldades e alegria da conquista, que foi garantida pela Corregedoria Nacional de Justiça, órgão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que regulamentou em 2018 a mudança de nome e gênero em cartório para transexuais.

Todo cidadão tem direito de escolher a forma como deseja ser chamado. Assim definiu o Supremo Tribunal Federal ao reconhecer que pessoas trans podem fazer as alterações necessárias em certidões de nascimento e casamento sem precisar provar mudança de sexo ou apresentar uma ordem judicial. O princípio do respeito à dignidade humana foi o mais invocado pelos ministros para decidir pela autorização.

Para Alexandra a decisão do STF foi muito importante para pessoas que, como ela, que ainda sofrem preconceitos por parte de quem não entende sua opção de gênero, pudesse viver plenamente sua escolha. “Eu me sinto mulher, me visto como mulher, sou mulher, mas era constrangedor ser chamado pelo meu nome de registro em algumas situações que exigia isso, foram vários esses momentos, e sempre era constrangedor, porque causava comentários, murmurinhos, brincadeiras...”, diz.

Alexandra, que gosta e é reconhecida como Alexia, preferiu apenas mudar a letra do nome em respeito à vontade da mãe, que escolheu e gostava do nome Alexandre. “Todo mundo me conhece como Alexia, eu pensei em colocar, mas como minha mãe gosta do nome Alexandra, resolvi respeitar a escolha dela”, explica.

Apesar do direito garantido, Alexia conta que não foi fácil conseguir mudar seu nome no registro, pois a pessoa trans ainda enfrenta dificuldades para efetivar o direito diretamente no balcão dos cartórios, seja pela falta de informações, dificuldade de acesso à documentação e à gratuidade, ou falhas no atendimento. “Depois de meses buscando, de quase desistir, eu contei com a ajuda de pessoas maravilhosas no Ministério Público, que me mostraram o caminho, me orientaram, foram verdadeiros anjos na minha vida”, relata.

Mesmo que ainda existam essas burocracias, ela aconselha a todas as amigas que enfrentam todos os dias preconceitos por conta de sua escolha sexual, que não desistam e busquem seus direitos. “É muito gratificante e libertador e vale a luta”, finaliza.

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