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ASA Piauí comemora seus 20 anos com audiência pública na ALEPI

O deputado estadual, Francisco Limma (PT), foi quem reivindicou a pauta na audiência de hoje, ao presidente da ALEPI, Themístocles Filho, para essa comemoração.

12/11/2019 19h33
Por: Edição Paula Andréas
Fonte: Asa Brasil
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Em comemoração aos 20 anos da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), o Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido (FPCSA) provocou uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Piauí (ALEPI), hoje, 12 de novembro. O deputado estadual, Francisco Limma (PT), foi quem reivindicou a pauta na audiência de hoje, ao presidente da ALEPI, Themístocles Filho, para essa comemoração.

Compareceram à audiência, além do coordenador do FPCSA, João Evangelista, representantes das 21 organizações que compõem o Fórum. Agricultoras e agricultores de todo o Piauí que são acompanhados/as por estas organizações em suas comunidades levaram cartazes de protesto com frases reivindicando ao Legislativo mais empenho na aprovação de leis voltadas para as políticas públicas que beneficiem mais as comunidades do semiárido piauiense.

Foto: Crys Machado / FPCSA

 

Maria Bethânia, diretora da secretaria de Meio Ambiente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Piauí (FETAG), destacou a luta das organizações do FPCSA em oferecer um acompanhamento digno aos agricultores e agricultoras, sem o devido apoio do governo aos programas de convivência com o semiárido. “Precisamos lutar pelos nossos direitos, que sejam respeitados e garantidos através de políticas públicas voltadas para o semiárido, o povo clama por dignidade”, desabafou Bethânia.

Carlos Humberto Campos, ex-coordenador do FPCSA, foi homenageado e concedeu a sua fala sobre a atuação da ASA nesses 20 anos no Piauí. Contou um pouco da sua trajetória como coordenador e colaborador do Fórum por todos esses anos, sempre na luta pela convivência digna dos agricultores e agricultoras do semiárido piauiense. A sua gratidão é tanto pelas conquistas do Piauí como também por todos/as que vivem no semiárido brasileiro:

"A alegria de celebrar a conquista de 1.294.503 tecnologias sociais de captação de água da chuva, implementadas ao lado das casas, com atuação em cerca de 1 mil municípios;
A conquista de criação de 1.150 casas de sementes, espalhando autonomia entre os/as agricultores/as e comunidades, valorizando a biodiversidade e sendo resistência à avalanche unificadora/massacradora das sementes transgênicas, processos controlados pelas grandes empresas do agronegócio. Aparecem e florescem as sementes crioulas, espaço de liberdade, de vida, de autonomia, de resistência. Viva nossa Semente da Fartura!"

A conquista de 200 mil famílias que têm acesso a água para a produção constituem-se, hoje, em celeiro de produção de alimentos saudáveis e sem agrotóxicos no Brasil. Essas famílias vivem na segurança alimentar e nutricional e disseminam estas práticas por outras comunidades e municípios.

A conquista de 7.000 Escolas do Semiárido que possuem sistemas simplificados de abastecimento de água, respeitando o direito à vida e à educação de mais de 490 mil crianças, 60 mil jovens e 40 mil adultos. Durante as estiagens, essas escolas, deixavam de funcionar por falta de água. 

A conquista da qualificação de 15 mil pedreiros/as locais, que passaram a ser contratados/as pelas organizações, gerando mais empregos e renda no semiárido. Muitos desses pedreiros foram absorvidos pelas empreiteiras no processo de construção do Programa Minha Casa Minha Vida.

Uma outra conquista foi a saída de 1 milhão de mortos, em estiagens anteriores, para mais de 1 milhão de cisternas, beneficiando mais de 8 milhões de pessoas envolvidas na construção do processo de convivência com o Semiárido. Celebramos a conquista da saída da morte para a vida e o bem viver!

Quando a ASA celebra 20 anos de construção da convivência com o Semiárido, percebe-se que pouco a pouco, foi descontruída a narrativa de combate à seca, que por muitos anos levou milhares de famílias a deixarem suas terras, por acreditarem que não era possível conviver com o clima seco do Semiárido.

Por meio da união e organização foi sendo construída uma outra narrativa: aquela da convivência, do protagonismo dos povos, de sua capacidade de produzir conhecimento e saberes e ser senhor de seu destino.

Não se pode deixar de homenagear, neste momento singular, os homens e as mulheres, colaboradores e colaboradoras das equipes de trabalho, das organizações, da ASA e da AP1MC. Pessoas dedicadas que foram além de suas capacidades técnicas, doando-se e fazendo chegar oportunidades de melhor qualidade de vida às famílias das comunidades mais distantes e esquecidas do Semiárido.

O agricultor Rodrigo Sá, do município de Oeiras, deu o seu testemunho na plenária, “hoje a minha família vive bem, devido a cisterna que temos em nossa casa que nos proporciona oportunidades de criar nossas galinhas e cultivar nossas plantações com mais autonomia, tanto para o nosso sustento como também para comercializar”.

E assim vamos comemorar e continuar na luta, porque é no Semiárido que a vida pulsa!

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