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CONVERSAS HACKEADAS

PF busca autoria de ataque a celular do relator da Lava-Jato no TRF-2

O aparelho está sendo periciado e umas das pistas é a sequência de quatro ligações que Abel Gomes recebeu, no momento da invasão, de um iPhone de São Paulo.

09/06/2019 22h37
Por: Edição Paula Andréas
Fonte: G1
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O desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região Foto: Divulgação
O desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região Foto: Divulgação

Na semana em que o desembargador Abel Gomes,relator em segunda instância da ação penal relativa à Operação Furna da Onça no Tribunal Regional Federal da 2ª Região(TRF-2), faz a primeira audiência de instrução e julgamento do caso, a Polícia Federal (PF) tenta apurar a responsabilidade pela invasão do telefone celular do magistrado,em um ataque hacker ocorrido na quarta-feira.

O aparelho está sendo periciado e umas das pistas é a sequência de quatro ligações que Abel Gomes recebeu, no momento da invasão, de um iPhone de São Paulo.

Em novembro do ano passado, a Furna da Onça cumpriu 19 mandados de prisão temporária e três de prisão preventiva — entre os alvos, estavam dez deputados estaduais sob suspeita de envolvimento no esquema de corrupção comandado pelo ex-governador Sergio Cabral. O julgamento do caso começará nesta segunda-feira e deverá se prolongar pela semana, com os depoimentos de testemunhas de defesa e de acusação.

Abel Gomes, que também é relator da Operação Calicute e de outros processos ligados a fases da Lava-Jato no Rio, disse que, se a PF conseguir chegar à autoria do ataque, pretende denunciar os responsáveis na Comissão de Independência Judicial da ONU.

— Interpreto isso como uma escolha seletiva, que recaiu sobre mim por causa da relatoria que exerço no âmbito da Lava Jato do Rio e tudo que ela repercutiu nos últimos meses. Isso é uma forma de constranger — declarou.

Goulart lembra que as autoridades brasileiras já foram alvos de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, no qual documentos restritos da Petrobras foram liberados, em caso revelado em 2013.

Atualmente, o GSI possui um celular criptografado, mas com uma série de restrições de segurança. O aparelho não permite, por exemplo, a instalação de aplicativos como o Whatsapp, Twitter e Facebook, frequentemente utilizados pelo presidente e autoridades públicas. Além disso, só é possível se comunicar de forma criptografada com outros aparelhos similares.

Segundo a pasta, o presidente, o vice-presidente e ministros de Estado possuem o aparelho à disposição, cabendo-as optar pelo equipamento e operá-lo conforme suas necessidades funcionais.

Na avaliação de Camilo Gutierrez, chefe do Laboratório de Pesquisa da Eset América Latina, empresa especializada em detectar ameaças de segurança digital, a criptografia da comunicação, como no celular da Abin, impede o acesso ao fluxo de dados gerado pelo dispositivo, impedindo o acesso de seu conteúdo a pessoas externas. No entanto, não previne completamente o usuário das ameaças.

— O fato de não utilizar um aparelho com as informações criptografadas, pode deixar exposto seu conteúdo antes do acesso indevido a ele, ou seja, se alguém conseguir ter acesso ao celular poderá obter as informações nele armazenadas. No final, as tecnologias criptográficas ajudam a garantir a privacidade das informações — afirma.

O atentado também foi praticado contra o juiz federal Flávio de Oliveira Lucas, que atuou no gabinete do desembargador, substituindo-o em período de férias. De acordo com Gomes, a tentativa de invasão teria sido semelhante à registrada esta semana pelo ministro da Justiça, Sergio Moro. Integrantes da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba (PR) também relataram situação semelhante

Abel, na noite de quarta, recebeu uma mensagem SMS em inglês mandando entrar num link. Minutos depois, um número desconhecido efetuou quatro ligações seguidas para o aparelho do magistrado. As três primeiras foram atendidas, mas o outro lado estava mudo. Poucos minutos depois, entrou uma mensagem de Telegram informando que havia uma sessão aberta por um dispositivo e que, se não fosse dele, deveria ser verificado. 

Teconologia pode proteger

Essas recentes invasões a aparelhos celulares poderiam ter sido evitadas com mecanismos de proteção e criptografia dos aparelhos disponíveis pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), feito com tecnologia desenvolvida pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). É o que opinam alguns "hackers" ouvidos pelo GLOBO. De acordo com os especialistas no assunto, as ameaças cibernéticas são crescentes, cada vez mais difíceis de serem controladas, e deveriam ser encaradas como uma questão de Estado e de segurança nacional.

— Nenhuma comunicação sensível governamental poderia ser realizada por aplicativos comerciais como Whatsapp e Telegram, por e-mail ou até mesmo usando linhas convencionais de telefonia fixa e móvel. No último caso, a rede de telefonia permite interceptações que podem ser ilegalmente realizadas por atores que tenham acesso às infraestruturas de comunicação — explica Guilherme Damasio Goulart, consultor em Direito da Tecnologia e Segurança da Informação na BrownPipe Consultoria.

Fonte: G1

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