Segunda, 17 de dezembro de 2018
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09/03/2017 ás 14h06 - atualizada em 10/03/2017 ás 13h54

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Edição Paula Andréas

Luzilândia / PI

Gerente do BB de Luzilândia concede entrevista e fala sobre a falta de dinheiro na cidade
Com a intervenção do Blogueiro Lucas Brito, entrevistou o gerente Kleber Araújo de Andrade, para que esse prestasse esclarecimento à população sobre a situação.
Gerente do BB de Luzilândia concede entrevista e fala sobre  a falta de dinheiro na cidade

Fazer saques na agência bancária do Banco do Brasil em Luzilândia tem sido uma verdadeira maratona nas ultimas semanas. A agência, que atende além da cidade outros municípios vizinhos, parece não suprir as necessidades financeiras da população e tem sido alvo de constantes protestos.  Para se ter uma ideia, do dia 24 a 01 de Março, feriado de carnaval, a população ficou sem poder sacar dinheiro  nos terminais de auto-atendimento, porque esses  estavam disponíveis somente para realizar consultas de saldos, pagamentos e transferências. Essa situação voltou à acontecer  na semana passada e as manifestações contra a agência bancária tem se espalhado nas redes sociais.



O Site Clica Luzilândia, com a intervenção do Blogueiro Lucas Brito, entrevistou o gerente da Agência do Banco do Brasil de Luzilândia, Kleber Araújo de Andrade, para que esse prestasse esclarecimento à população sobre a situação.



Site Clica Luzilândia: Sr. Kleber Araújo o que está acontecendo com a agência do BB de Luzilândia? Por que as pessoas não conseguem sacar seus dinheiros?



Sr. Kleber Araújo: Nós temos 8 mil aposentados, eles recebem em 10 dias úteis no mês, se você pegar 8 mil e dividir por  dez, dar 800 pessoas, a média de saque dessas pessoas é de R$ 600 reais e  eles sacam tudo. Veja, 800 x 600 dá um total alto, só para os aposentados. E nesses dias úteis a gente coloca dinheiro direto ali. Porém o que acontece, a Prefeitura paga junto, o Estado paga junto,  juntou isso ao carnaval e feriado. Na segunda- feira, nós tivemos o desprazer da operadora OI, que faz nosso online, não funcionar, aí juntou o feriado municipal do dia do Evangélico na sexta, que não sabíamos, fomos saber  ao meio dia da quinta-feira, véspera. No ano passado nós não fomos avisados e trabalhamos, até pensei que era ponto facultativo, mas aí o rapaz trouxe o documento mostrando como realmente era feriado. Nós fomos para casa, viajamos, não  sabíamos que ía dar problema.   Uma semana que  a agência teve dois dias de expediente, em dois dias juntou um mundareu de gente, era dinheiro que não tinha, as máquinas quebram, em uma semana normal a gente não dar conta, imagine  aí a gente ter que se  virar nos trinta, as pessoas não sabe, mas é trabalho pra colocar o banco funcionando.



Site Clica Luzilândia: E no feriado de Carnaval?  Porque não abastecer já prevendo o fluxo de pessoas que passariam pelo banco para sacar?



Sr. Kleber Araújo:  As pessoas não sabem, mas tem um limite de dinheiro  por pernoite por máquina, e isso não é a gente que determina. São seis máquinas que sacam dinheiro, elas são super frágeis, no sentido do cara vir com uma banana de dinamite ou com um maçarico e quebrar ela. Se o bandido fizer isso será um prejuízo grande para nós e para vocês. Porque uma máquina dessa quebrada não será substituída fácil, porque o banco como uma empresa pública terá que passar por um processo licitatório para comprar outra, por isso para conseguir máquina nova é complicado, porque os bancos têm máquinas explodidas por ladrões o tempo todo em todo País. Essa nova, que o BB daqui ganhou, foi com muita luta. É a que fica no canto, ela cabe quatro vezes o que cabe nessas outras. Essa máquina o bandido conhece mais do que nós, na hora que ele vem aqui, desfaçado de cliente ele olha e sabe.  Dois modelos de máquinas aqui não podem dormir com dinheiro, foi descoberto um defeito nelas, um hacker descobriu que a segurança é frágil, se ele mexe num fio, a máquina cospe dinheiro. Elas estão sendo consertadas, um funcionário do BB está fazendo o conserto no Brasil todo, para trocar todo o software delas, mas até que chegue aqui, a gente precisa desligar elas a noite e nos fins de semana, por questões de segurança.  Mas a máquina que conseguimos, supri essas outras duas, mas só que ela tem um limite por pernoite, o Banco não lhe permite deixar a mais, se o nosso funcionário esquece e deixa a mais desse limite, se acontece um *sinistro, esse funcionário perde até o emprego. E se não acontecer um sinistro, mas se ele insistir em deixar, vão tirar esse funcionário daí e colocar outro que atenda as regras.



Site Clica Luzilândia: Mas se isso acontece no carnaval prejudica a economia local. Qual a solução para isso?



Sr. Kleber Araújo:  O que aconteceu é que a gente tem um mês para realizar saques no Banco, eu já pedi para o rapaz que faz o pagamento da Prefeitura, pelo amor de Deus, paga desse período a esse período, porque nesse período tem os aposentados, tem os idosos, ou então, nem que você pague todos os dias, mas um valor x num dia, outra tanto noutro dia, que nem o Estado faz, a gente pediu e insistiu tanto com o Estado que eles se adaptaram. E foi o que aconteceu na semana do carnaval... Pedimos na Prefeitura, até pelo amor de Deus para que eles não pagassem na sexta feira, porque no sábado não tem expediente aqui, não tem como colocar dinheiro e nem ninguém para consertar as máquinas, e eles disseram “Não, mas tá atrasado, precisamos fazer”, a gente aqui não pode proibir, pois beleza deixa eu ir embora pra eu não apanhar... Eu posso até fazer uma previsão de dinheiro em caixa, se eu tenho pagamento de uma folha, previsão de pagamento dos aposentados, 400 mil reais por dia, por exemplo, de um convenio, mas fazer uma previsão de outras transações é humanamente impossível. Só do INSS são quatro tipos de convênio, quatro prefeituras, e elas não avisam quando vão pagar, não. Junta isso ao fato de que, máquinas são máquinas,  elas quebram,  engancha um papel, engancha o dinheiro, conserta um sensor, elas voltam a funcionar, no meio da semana existe pessoas para  fazer isso, no fim de semana não. Esse fim de semana, dois funcionaram se disponibilizaram a vir consertar, eles quase perdem o emprego deles, porque não pode, é proibido. O Banco não permite, por uma questão de segurança deles mesmo, porque pode acontecer do bandido vir aqui e colocar a vida deles em risco.



 



Site Clica Luzilândia: E o ar condicionado? Resolveu quebrar também?



Sr. Kleber Araújo:  O ar condicionado é regido por uma central, ele desliga automaticamente, é pra economia de energia, é automático. O banco funciona com aqueles Programas de sustentabilidade, de conservação de energia do Governo Federal. E não adianta, eu não tenho como intervir, o gerente não tem vez nisso aí. Eu sou o gerente, mas tenho autonomia limitada, eu tenho um programa aqui que eu faço minha previsão, se eu trabalhar com essa previsão eu sei, mas se eu peço um tanto de dinheiro  ligo pra central e peço pra eles enviar, eles dizem não vou te mandar só a metade, e eu não posso fazer nada, só rezar pra chegar a hora de ir embora e eu não apanhar do povo. Mas isso não é só um problema de Luzilândia, todas as cidades da região passam pelo mesmo problema. Se colocássemos 20 máquinas aqui, seria ótimo, mas também seria perfeito para os bandidos, sem contar que não é fácil conseguir essas máquinas, pelos motivos que te falei, e a gente também não pode dar bobeira. Eu fui gerente da cidade de Cocais, e os bandidos explodiram os caixas de lá, foram dois anos pra reformar. Fui trabalhar em Inhuma, lá também explodiram, acabaram com tudo, em cinco meses consegui colocar pra funcionar, no ano passado explodiram de novo os caixas. E para voltar a funcionar é muito caro, não tem empresa que aguente, e é por isso que o Banco tem todo esse cuidado de segurança, é melhor ter dois dias sem dinheiro, que um ano de transtorno, por conta de um assalto.



Site Clica Luzilândia: Então por que não investir em segurança para o Banco?



Sr. Kleber Araújo:  Porque o banco do Brasil é uma agência financeira, as pessoas perguntam “por que o vigilante do Banco não prende?” Porque não pode, nem a guarda municipal pode. O Banco é uma agência financeira, ele tem mecanismo de segurança porque pode ser assaltado, mas ele não pode garantir a total segurança de seus clientes, isso é dever do Estado. As pessoas dizem “Esses Vigilantes aí servem para que?” Ele não tem poder de polícia, o Banco não segura bandido, o bandido é folgado, ele chega aqui ele bate na velhinha, atira em mim, no cliente, atira para todo lado se acertar em alguém, azar, o vigia vai fazer o que?



Site Clica Luzilândia: Então qual seria a solução, Sr. Kleber?



Sr. Kleber Araújo:  A que eu já falei, sobre uma cooperação das Prefeituras  com o pagamento e outra solução plausível seria os comerciantes colocarem maquininhas de cartão em seus estabelecimentos comerciais. As pessoas precisam entender que dá para comprar sem dinheiro, comprar no cartão.  Se conscientizar que não precisa sacar dinheiro, alguns comerciantes trabalham com cartão, e funciona com eles, se eu tenho uma maquininha de cartão agiliza e incentiva a compra, e a função débito, o dinheiro está no outro dia na conta do comerciante, e nem precisa vir aqui no banco, as pessoas precisam se adaptar, se o comerciante não o fizer ele vai perder negócio. Enquanto as pessoas não se convencerem que hoje o dinheiro é de plástico e não de papel, se os comerciantes não entenderem que eles saírem na frente e botarem uma maquineta, eles vão vender muito mais... Porque dinheiro, se eu tiver 20 reais, eu vou comprar 20 reais, mas se eu tiver o cartão, e o limite da pessoa é 200 reais ela pode gastar esses duzentos, eu posso parcelar, essa pessoa não vai dar calote nele, porque se o cara clonou o cartão, cometeu esse crime, por exemplo,  o comerciante lá não vai ficar no prejuízo não, nós é que vamos arcar com as consequências, o Banco aqui.



Site Clica Luzilândia: Você diz que está sendo hostilizado, o que você tem a dizer sobre isso?



Sr. Kleber Araújo:  O pessoal pensa que o fato da gente não ser daqui nós não damos valor, mas não é isso, aqui todo mundo é profissional. Eu almoço aqui, todo dia as 14h30 e às vezes nem almoço, pra botar o banco funcionando.   E ainda temos que aguentar a pessoa vir aqui e gritar comigo sem entender o todo. É muita hostilidade, porque as pessoas só observam seus problemas, e não enxergam que pra funcionar existe uma serie de trabalho que é feito, mas existem essas particularidades que não depende da gente. E mesmo com todo nosso esforço, toda vez que tiver um feriadão, pode acontecer esse problema, por vários motivos como eu citei, e não é porque a gente quer que aconteça, é só pensar o que estaríamos ganhando com isso? Eu estou me sentindo acuado, eu estou evitando ir no supermercado, na farmácia, porque no meio da rua os caras fica jogando piada em mim, isso é ofensa, no meio da rua as pessoas me gritam “Bota dinheiro no Banco”, é triste. Aqui a gente dar o sangue para colocar isso aqui funcionando, todos os funcionários, fazemos o melhor, mas as pessoas ainda jogam piadas. E essa hostilidade é estimulada também por veículos de comunicação que não tem compromisso com a verdade, não procuram os lados da história, e só aumentam a desinformação.







Foto: Web



 


FONTE: Lucas Brito/Especial para o CL/ Edição Paula Andreas

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