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Tragédia em Suzano

Guilherme Taucci Monteiro e Luiz Henrique de Castro: saiba quem são os assassinos de Suzano

Dupla matou 7 pessoas na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP). Um dos assassinos também matou o próprio tio no mesmo dia.

14/03/2019 16h08
Por: Edição Paula Andréas
Guilherme Taucci Monteiro e Luiz Henrique de Castro: saiba quem são os assassinos de Suzano (Foto: Reprodução)
Guilherme Taucci Monteiro e Luiz Henrique de Castro: saiba quem são os assassinos de Suzano (Foto: Reprodução)

Os criminosos que mataram 8 pessoas em Suzano (SP) eram amigos de infância e viviam na mesma quadra, a pouco mais de 1 km do local do massacre. Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25, tinham feito um pacto: assassinar alunos e funcionários da Escola Estadual Raul Brasil, onde haviam estudado, e cometer suicídio em seguida.

Na manhã de quarta-feira (13), eles usaram um carro alugado para ir até uma loja de automóveis, onde Guilherme baleou e matou o próprio tio, Jorge Antônio de Moraes. Depois, seguiram por três quadras até a escola, onde protagonizaram 15 minutos de terror.

Guilherme usava roupas pretas e coturno, além de um lenço com desenho de caveira cobrindo a boca e o nariz. Luiz Henrique estava com boné, calça preta, coturno e um casaco xadrez azul. Também cobria o rosto. A dupla carregava um revólver 38, arco e flecha, uma besta (um tipo de arco e flecha), coquetéis molotov, uma machadinha e uma mala com fios, que parecia ser uma bomba, mas não tinha material explosivo.

O motivo do ataque ainda é desconhecido. Para entender o que aconteceu, policiais foram até a casa dos assassinos e a uma lan house que os dois frequentavam. Eles gostavam de jogos online de combate, como CS (Counter Strike), Call of Duty e Mortal Kombat. Os investigadores querem saber que sites eles acessavam e como se comportavam nas redes sociais.

Minutos antes do ataque, Guilherme publicou cerca de 20 fotos em uma rede social em que aparece fazendo gestos obscenos, segurando um revólver e usando no rosto o lenço com desenho de caveira.

FAMÍLIA E OS VIZINHOS

Guilherme foi criado pela avó, que morreu há três meses. Luiz Henrique de Castro vivia com os pais, um irmão mais velho e o avô, de 80 anos. Vizinhos contaram ao repórter Bruno Tavares, do Jornal Nacional, que Luiz trabalhava com jardinagem em uma empresa na Zona Leste de São Paulo.

Uma vizinha dos jovens, que não quis ser identificada, disse que Guilherme andava sempre de cabeça baixa, com boné cobrindo o rosto e que não cumprimentava ninguém na rua. “Quando ele era criança, era muito briguento e levado. Na adolescência, ficou mais fechado.” O rapaz deixou a escola no ano passado.

Um dos primos de Guilherme, Jorge Antônio de Moraes Jr., de 27 anos, disse que seu pai não discutiu com o rapaz antes de ser assassinado por ele – uma hipótese que foi levantada após o massacre. De acordo com a família, Jorge Antônio de Moraes não tinha contato com Guilherme desde que o demitiu, há cerca de dois anos, da loja de carros da qual era dono. “Ele não tem culpa de nada, esse menino que era louco”, disse o filho da vítima.

Sobre Luiz, uma vizinha disse que ele tinha mais contato com a mãe, e ela reclamava da agressividade do jovem.

César Expedito de 27 anos, era amigo de Luiz Henrique há 14 anos e chorou ao falar sobre ele para a reportagem do G1. “Ele gostava de jogar bola e videogame. Nunca demonstrou comportamento agressivo. Luiz estudou um ano na Escola Raul Brasil, mas concluiu o médio em supletivo em outra escola. Nunca foi expulso e trabalhava em Guaianases”, disse César.

“Gostava de futebol, lan house e games. Era fechado e ficava em casa. Quando saía, ou era para jogar bola ou [andar] de bicicleta. Ele ficava em casa em jogos no computador. Briga tinha em casa como qualquer outra família.”

Tatiane Mota, 27 anos, promotora de vendas que trabalhou na lan house frequentada pelos assassinos diz que eles não costumavam falar com outras pessoas. Eles iam sempre juntos e, segundo ela, “revezavam um pingente de colar em forma de cruz com uma suástica nazista”. A polícia levou da lan house o computador número 9, o preferido da dupla.

CADERNOS

No carro usado pelos criminosos, a polícia encontrou dois cadernos. Um deles trazia uma série de desenhos de armas, nomes de jogos de internet e táticas de jogos de combate que o participante deve cumprir. Entre as táticas estava: “Depois disso pode mandar seu exército atacar, é exército meio fraco, mas se fizer rápido o inimigo não vai ter tempo de fazer muitas defesas”.

Outro caderno, que seria de Guilherme, tinha uma lista de regras de conduta da escola como “proibido o uso de celular em sala de aula, proibido fumar e colaborar com a organização e limpeza dos ambientes.”

A Polícia Civil diz que Guilherme matou Luiz e depois se matou. Eles morreram com tiro com a arma encostada na cabeça, segundo revelou um médico legista do Instituto Médico Legal de Mogi das Cruzes ao Bom Dia SP. O laudo completo ainda não foi concluído.

Planejamento do crime

Investigadores vão apurar se outras pessoas participaram do planejamento do ataque, que teria durado pelo menos um ano. A polícia sabe que a dupla estava buscando na internet informações sobre massacres do mesmo tipo nos Estados Unidos, e pretendia mais pessoas do que as 13 vítimas do massacre de Columbine, ocorrido em 1999.

A polícia analisa a possibilidade de a dupla ter frequentado um fórum intitulado Dogolachan na Deep Web, uma internet considerada obscura na qual pessoas anônimas incitam crimes de ódio e intolerância.

“Muito obrigado pelos conselhos e orientações… esperamos não cometer esse ato em vão”, teria escrito um dos assassinos dois dias antes do massacre em Suzano.

Um dos amigos dos criminosos foi ouvido pela polícia na noite de quarta e contou que soube da intenção da dupla em fazer o atentado. Só não sabia quando seria.

Os investigadores já ouviram 20 pessoas no total, entre pessoas próximas aos assassinos e vítimas deles.

Segundo policiais, o empresário Jorge Moraes, o primeiro alvo dos criminosos, teria sido morto pelo sobrinho por ter descoberto o plano da dupla. Para Diógenes Lucca, consultor em segurança, as armas usadas sugerem um certo grau de improvisação dos assassinos.

“Eles teriam feito essa ação com o que tivessem a mão, naquele momento. É claro que uma arma de fogo acabou facilitando e produzindo os danos que nós percebemos aí ao final da operação. Mas… o uso da machadinha foi muito revelador da vontade e do desejo absoluto de produzir aquele massacre”, falou Diógenes.

 

*Por G1: Maiara Barbosa, do G1 Mogi das Cruzes e Suzano, Bruno Tavares, do Jornal Nacional, Renata Ribeiro, Filippo Mancuso, Fábio Turci, do Bom Dia SP, Kleber Tomaz, Thiago Lavado e Altieres Rohr, G1 SP.

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