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Piauí

27/11/2018 ás 19h33

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Edição Paula Andréas

Luzilândia / PI

Celebração Eventos pede falência e alunos ficam sem formatura: “Um sonho caro que acabou”
Sem dinheiro investido, sem formatura, pouco tempo para recuperar: estudantes lamentam perda da festa e expressam indignação pelo prejuízo de até R$ 6 mil.
Celebração Eventos pede falência e alunos ficam sem formatura: “Um sonho caro que acabou”

“Sonhei com a formatura nesses últimos dois anos. Fiz as fotos, os convites, avisei meus parentes de fora. Tudo isso em vão”, lamenta a estudante de direito Gabriela Lima, que viu a festa de graduação ser interrompida, após a empresa declarar falência em Teresina.


A empresa citada é a Celebração Eventos, que no fim dessa segunda-feira (26/11), veio à público confirmar seu fechamento nas redes sociais. Pelo menos 108 turmas podem ficar sem festa. Em conversa com o OitoMeia, os estudantes também afirmaram que não sabem se o dinheiro será devolvido. Eles também não tem esperança de que a formatura pela empresa ainda vai acontecer.


A FESTA ERA O SONHO DA MÃE



Lucas pagou por vários anos o sonho da festa de formatura (Foto: Arquivo Pessoal)



Lucas Ryan Páscoa é um dos alunos prejudicados. Graduando em administração, o jovem pagou parcelas durante quatro anos de curso e estava ansioso para compartilhar a festa em família. Nada mais do que merecido, após enfrentar uma jornada de estudos, trabalho e muito esforço para garantir o diploma do ensino superior.


Ele tirou as fotos, passou nos períodos e só aguardava o momento da festa acontecer: em março de 2019. Ao OitoMeia, ele revelou que agora vai tentar na Justiça ter o investimento de volta.


“É muito triste. Para reaver o valor que a gente pagou vai ser bem complicado. A gente nem tem esperança de retorno, na verdade. Minha turma só não ia ter o baile, mas todas as demais solenidades nós combinamos. Eu vinha pagando há quatro anos. Nossa parcela era quase R$ 90 por mês. O que nos deixou mais chateados foi porque até o dia 31 [de outubro], a Celebração estava insistindo no pagamento para que marcassem as datas”, revelou.


Foi aí, que dias mais tarde, a turma ficou sabendo o que acontecia por trás das cortinas da agência: a possibilidade de falência. Lucas diz que os alunos foram até o local, que já não existe mais, e encontraram a secretária, mas não receberam muitas informações.


“No início de novembro começamos a saber o que estava realmente acontecendo. A gente foi até o local onde ficava a sede da empresa e encontramos só uma secretária. Ela nos disse que a gente deveria aguardar essa auditoria, que poderia ocorrer de tudo, inclusive [declaração de] falência. Foram essas informações e mandaram a gente aguardar. Fomos pegos com essa nota oficial e agora estamos queremos reaver pelo menos a metade do valor”, continuou o estudante.


Com ele, outros 35 alunos também assinaram o contrato. Todos eles vão ficar sem festa. O estudante lamenta o prejuízo, mas fica triste por não poder mostrar a festa para a mãe, que sonhou em vê-lo participar.


“É uma tristeza muito grande, a gente não pode fazer nada. É um sonho de uma vida, não só nosso, mas de toda a família. Minha mãe fez muita questão que eu participasse das solenidades, porque quando ela se formou, ela não tinha condição de participar. Ela quis proporcionar isso para gente, para o meu irmão. Ele conseguiu escapar, vai fazer a solenidade por outra empresa. Mas, eu tive a infelicidade de ser pela Celebração”, finalizou ao OitoMeia.


ACHEI MELHOR DESISTIR DE PARTICIPAR



Sofia ficou com receio dos boatos de falência, decidiu cancelar, mas não recebeu o valor de volta (Foto: Arquivo Pessoal)



A formanda em administração Sofia Maria Teresa percebeu que algo estava errado após ouvir rumores sobre a falência da empresa. Ela, então, pensou que dava tempo cancelar a participação dela na formatura, mas ainda não recebeu o dinheiro.


“Eu desisti em outubro. Fui lá e cancelei porque eu fiquei sabendo que havia um boato de que estavam em crise, havia uma transição. Só que eu nunca recebi o dinheiro de volta. Já fui ao Procon e estou aguardando receber, mas é triste. Eu também fui prejudicada nessa situação”, disse à reportagem.


No contrato, ela havia pedido todas as solenidades, com exceção do baile. O valor a receber é de R$ 800. No início deste ano, Sofia chegou a receber uma carta, onde a empresa pedia que ela fizesse o pagamento com urgência.


“No começo do ano, eles me mandaram uma carta, que se eu não fosse negociar, meu nome iria para o SPC. Fui lá e negociei, paguei R$ 800. Esse valor eles teriam que me devolver quando eu cancelei a minha participação na formatura. Tem gente na minha turma que já pagou 90% e era cerca de R$ 2 mil para cada”, continuou a estudante.


Ela lamenta que muitos colegas de turma vão ficar sem a festa de formatura, já que o prazo está curto demais para pagar tudo de novo.


“Tem outras empresas que procuram a gente, mas a gente fica com medo. A gente não vai arriscar de novo. Tem aluno que pagou à vista, que paga há muito tempo, é um investimento alto. A empresa queria que a gente pagasse. Quando foi em agosto, eles ficaram pressionando para a gente pagar, para quem tivesse contrato, fazer. Foi por isso que eu cancelei”, finalizou Sofia.


ERA O MEU SONHO


Ao OitoMeia, Gabriela Lima não escondeu a frustração por perder a festa. Ela pagou o carnê por dois anos e nem lembra quantas parcelas já se passaram. O sonho dela era participar de todas as solenidades com a família.


“Eu sou a primeira da minha família a se formar. Então, isso era grande para mim. Era grande para minha família. Eu já tinha contratado o fotógrafo, comprado os vestidos… foi um investimento muito alto que não tenho como pagar em três meses. Como fazer isso, se eu pago há dois anos?”, questionou a estudante de Direito.


Ela soube da falência da empresa quando estava prestes à concluir o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) nessa segunda-feira (26/11). Sem esconder a tristeza, ela foi para casa e contou para a família que o “boato” tinha sido confirmado. Nesta terça-feira (27/11), ela e os demais estudantes vão ao Procon.


“Não é só eu ou minha turma. São 108 turmas que estão na mesma situação que eu. Aí o pessoal estava falando nas redes sociais: como vocês caíram nessa? Primeiro, eu não posso afirmar que é golpe, porque tem empresa que realmente está em condição difícil. Também não tenho como saber dois anos atrás que a empresa ia falir. Outros alunos perguntaram porque a gente pagava há tanto tempo, mas esses investimentos tem que ser adiantados mesmo, não dá para pagar à vista. Além disso, era uma empresa conhecida, e só no meu curso outras cinco turmas se formaram tranquilamente. Mas é isso: sonhei com a formatura nesses últimos dois anos. Fiz as fotos, fiz os convites, convidei meus parentes de fora. Tudo isso em vão”, lamentou ao OitoMeia.



Empresa confirmou falência nessa segunda-feira (Foto: Reprodução/Instagram)



PEDIDO DE FALÊNCIA


A empresa lançou uma longa nota nas redes sociais confirmando as dificuldades. Após 16 anos atuando no Piauí, a Celebração Eventos entrou com pedido de falência e agora aguardam na Justiça a decisão sobre o fato.


Entre os motivos para a crise, os empresários citaram a “má gestão e a altíssima taxa de inadimplência que passa de 95% das turmas contratadas”, sendo assim aconselhado o fechamento das atividades. Explicou ainda que a empresa pode ser acionada pelo email: [email protected] para negociação.


“Eventuais contatos serão unicamente por meio do seguinte endereço de caixa postal. O funcionamento dos prédios foi findado. Os compromissos contratuais dessas duas últimas semanas serão cumpridos unicamente com nossa equipe externa”, explicou.’


Ainda segundo a empresa, viu-se necessário o fim da Celebração Eventos após consultoria dos dados, mas que “jamais deixou de produziu esforços para manter suas atividades, não conseguindo, porém, suportar as determinantes, pela desastrosa gestão do passado”, disse em nota pública.


OitoMeia tentou contato com os telefones da empresa, mas ainda não conseguiu resposta. O espaço fica aberto para os devidos esclarecimentos além da nota via redes sociais.


 








 

 

 






 



 








Fonte: Oitomeia
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