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25/10/2018 ás 14h38 - atualizada em 25/10/2018 ás 15h04

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Edição Paula Andréas

Luzilândia / PI

O sopro de sanidade na fala de Mano Brown. Uma analise do discurso do rapper
Às vezes um sopro de sanidade em um mar de ignorância faz uma baita falta.
O sopro de sanidade na fala de Mano Brown. Uma analise do discurso  do rapper

Às vezes um sopro de sanidade em um mar de ignorância faz uma baita falta, mas, infelizmente, nem sempre os ignorantes são capazes de compreender, e por serem maioria, transformam a sanidade em ignorância. Eis o grande ônus da Democracia. Pensei no trecho à cima ao vê a galera nas redes sociais falando do discurso do rapper Mano Brown, dos Racionais, na manifestação em Pró da candidatura do PT, inclusive com o candidato à presidência, Haddad, presente.


Comentários do tipo “ele detonou com o PT”, “Ele declarou que votava no Bolsonaro”, “Ele afirmou que o Bolsonaro tá certo” e coisa e tal; fui lá atrás desse discurso, primeiro pela curiosidade, ele saiu ileso dessa reunião? Quis vê de perto sobre a tolerância que tanto prega o lado de cá. Fui vê e acho que não é nada disso.


Vejam bem, eu disse, acho, porque opinião é apenas opinião, essa é a minha. E mesmo que você ache que eu sou de esquerda, e que por isso tenho esse ponto de vista. Mesmo que você se diga de Direita, em nome de sua inteligência, que acredito que você acredita que tenha, leia o texto todo antes de julgar.


Vou analisar por trechos:


“Eu vim aqui me representar, não vim representar ninguém”. Eu percebi uma busca em se afastar do que ele criticaria mais à frente. O antagonismo dos discursos contrários, tão igual na ignorância. A crítica foi a ambos os lados e não ao PT, somente!


“Não gosto do clima de festa. A cegueira que atinge lá atinge nós também. Isso é perigoso. Não tá tendo motivo pra comemorar. Temos mais de 30 milhões de votos pra alcançar (...) Não estou pessimista. Sou realista. O que mata a gente é a cegueira e o fanatismo.”


Claramente, ele se revela eleitor do PT, e não o contrário. Ele diz “Nós”, ele se inclui naquele meio. “Temos mais de 30 milhões de votos pra alcançar”. E em seguida conclui no trecho que a cegueira e o fanatismo nos faz aplaudir tudo, só porque é o nosso candidato que está falando. Essa crítica é direcionada a nós,  eleitores, não conseguimos olhar criticamente para os candidatos, ignoramos os erros, os transformamos em deuses, mitos!


Ele sabiamente também faz uma reflexão importante do atual momento. Onde amizades se desfazem por divergências políticas, onde a intolerância e a falta de respeito transformam um pleito em uma guerra, com soldados aguerridos dos dois lados, se gladiando nas redes sociais, vejamos:


“Eu não consigo acreditar que pessoas que me tratavam com tanto carinho. Pessoas que me respeitavam, que me amavam, que me serviam café, lavavam meu carro, que atendiam meu filho no hospital, se transformaram em mostro, eu não consigo acreditar nisso”.


As pessoas não podem e nem deviam ser julgadas por sua escolha política. Por algo pontual, por uma escolha em um momento de sua vida. Por mais horrível que achamos ser as propostas do candidato B, que suas propostas vá contra o que acreditamos, não podemos julgar as pessoas, a partir de nossas crenças. Não é porque nosso colega vota no candidato B, que ele odeia os gays, índios, quilombolas, que ele é machista. Ele antes era seu amigo, e gente atrai gente. ELE ERA SEU AMIGO. Você estava enganado esse tempo todo? Se coloque no lugar do outro, respeite a opinião alheia e antes de julgar procure entender o porquê do voto dele.


E nesse ponto, Mano Brown começa as críticas ao PT, ele chama atenção para meia culpa que o partido deveria ter feito e não fez. O governo do PT foi perfeito? Não!


“Se algum momento a comunicação do pessoal daqui falhou, vai pagar o preço, comunicação é alma. Se não tá conseguindo falar a língua do povo, vai perder mesmo. Falar bem do PT para a torcida do PT é fácil. Tem uma multidão que precisa ser conquistada ou vamos cair no precipício […] Se SOMOS o Partido dos Trabalhadores tem que entender o que o povo quer. Se não sabe, volta pra base e vai procurar entender. As minhas ideias é essa. Fechou”, disse Mano Brown.


Mano Brown culpa a falha de comunicação do PT com o povo pela vitória do Bolsonaro. Pouco antes da parte final de seu discurso ele diz: “ Não vim aqui pedir voto, porque eu acho que já tá decidido. Agora, se falhou vai pagar, se errou vai ter que pagar mesmo”. Ele admite a derrota, e ele não se coloca ali como vitorioso. Pelo contrário, agora é hora de arcar com as consequências e voltar para base, voltar a falar a língua do povo, voltar a ser o partido dos trabalhadores que no inicio se propunha a ser.


O PT errou feio ao longo do caminho, esse “voltar à base” é o reaprender a fazer mobilização na base, comunicação a partir da base, políticas públicas ouvindo a base, e a base é o povo. Essa foi a principal crítica do mano Brown. Não acho que sua fala tenha sido a favor do Bolsonaro, foi sim a favor do PT, porque críticas construtivas são necessárias. O voto dele, é um voto crítico. Fechar os olhos e endeusar partidos e candidatos é burrice. Porque candidatos são humanos, e humanos erram, erram o tempo todo, aprender a corrigir os erros é sabedoria, continuar no erro é burrice. Chegou o momento de reaprender a fazer a partir da base, mas agora é tarde, o  PT vai eleger Bolsonaro.


 


Paula Andréas é Jornalista há 10 anos, proprietária do site Clica Luzilândia, radialista, ativista e atuante na área da comunicadora popular e comunitária. 

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Paula Andréas, muito prazer! Essa é minha coluna no Clica!


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