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02/06/2018 ás 19h19 - atualizada em 04/06/2018 ás 14h18

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Redação

Luzilândia / PI

A parcialidade sem ética do (pseudo) jornalismo de Luzilândia
O objetivo do texto não é criticar a prática da assessoria feita por esses veículos, até porque os donos dos blogs precisam se manter financeiramente e estão oferecendo um serviço.
A parcialidade sem ética  do (pseudo) jornalismo de  Luzilândia

Um dia desses me vi em um debate sobre a imparcialidade no jornalismo no nosso grupo do WhatsApp do Clica, o consenso era que essa não existia, o impasse era sobre o que os veículos de comunicação em Luzilândia fazem com isso. Para quem não sabe o que significa, a imparcialidade no jornalismo trata sobre o que seria a atuação do jornalista de forma isenta na produção da notícia ou reportagem, ouvindo os dois lados da história sem se posicionar frente ao fato. Assim, deixa para o leitor fazer suas próprias conclusões, sem induzi-lo a qualquer opinião.


Quem trabalha com a notícia, constrói textos informativos diariamente e faz uma reflexão sobre o ato, entende que a imparcialidade é impossível de ser alcançada, porque como me disse a Professora, Doutora em Comunicação, Jacqueline Dourado, não existe imparcialidade no jornalismo, ele é feito por humanos, e não somos seres imparciais. De fato, nós somos formados por valores religiosos, pessoais, políticos, sociais que estão enraizados e não existe uma fórmula que nos permite deixa-los de lado quando escrevemos.


No entanto, alguns especialistas em comunicação defendem que a função do jornalista diante do ato de informar seria relatar os acontecimentos sem deixar transparecer qualquer ideologia que venha comprometer a objetividade da reportagem. Na minha humilde opinião de jornalista, com 10 anos de profissão, fora os cinco anos de academia, o jornalismo não é objetivo tão pouco imparcial, mas a tentativa de se afastar o máximo possível da subjetividade e da parcialidade já é um caminho para a produção de um jornalismo mais ético. E é esse ponto que queria salientar sobre o “pseudojornalismo” praticado em Luzilândia, onde o discurso da parcialidade é usado para atacar quem tenta fazer jornalismo ético, e para a busca de dinheiro fácil.


É notório que os veículos de comunicação em Luzilândia, em sua grande maioria, apresentam uma visão favorável a um grupo político, pessoa (candidato) específica, ou mesmo uma visão pessoal contra esses, isso por causa de inúmeros interesses, sejam eles econômicos ou políticos, não vamos salientar aqui o mérito. O objetivo do texto não é criticar a prática da assessoria feita por esses veículos, até porque os donos dos blogs precisam se manter financeiramente e estão oferecendo um serviço, nada contra. Meu objetivo é fazer uma reflexão sobre a prática jornalística.


Discutindo sobre o tema com o jornalista e pós-doutor em comunicação, professor Orlando Berti, ele me disse o seguinte: “Quando usam a parcialidade para opinar o (jornalista ou veículo) devem deixar claro. O opinativo não pode ser confundido com informativo. Isso é desonestidade jornalística”. Nos veículos de comunicação de Luzilândia o opinativo e informativo se confundem, principalmente nas matérias de cunho político, mas o leitor ao acessar o blog ou site em questão consegue identificar claramente a qual ‘senhor’ aquele veículo serve, então não seria um ato desonesto. No entanto, vou adentrar em um tema mais delicado, que você leitor, se acompanha a imprensa luzilandense já deve ter ouvido falar. Reza a lenda que certos veículos locais sobrevivem recebendo vantagens financeiras para defender e/ou atacar pessoas do meio político local. A prática consiste em algo simples - você me paga, eu só falo maravilhas de você ou do seu governo, se não me paga você aguente as consequências - simples, prático e financeiramente viável, mas nada ético.


Infelizmente, alguns preferem ceder e “pagam” para não ver seus nomes expostos com opiniões negativas, a maioria das vezes, em notícias tendenciosas que acabam induzindo a população à mentira ou meias verdades, visto que  a outra versão da história nunca é mostrado.   Porém, existe o outro lado tão sórdido quanto: onde o pseudojornalista ao descobrir os “podres” de alguns políticos, cobram para não jogar essas verdades ao conhecimento da população!


Na opinião do Jornalista, professor mestre em comunicação, Américo Abreu, a qual eu comungo, “A tentativa DELIBERADA de usar o jornalismo, ou algo assemelhado a ele, para mentir, enganar, manipular as pessoas deve ser repudiada imediatamente por todo cidadão. Por que isso resulta num mal social maior. Por que provoca dano, prejuízo para comunidade. Por que alimenta o ódio. Por que nos afasta da verdade,  nos aproximando da escuridão e da ignorância.”


Quanto a mim, a que senhor eu sirvo? Eu sirvo a ética, tão bem explicada para mim por meus mestres na faculdade e busco sim, o máximo que  me é possível, a objetividade e a imparcialidade nos meus textos. Se vou alcança-las ou não, isso depende do texto produzido, Deus sabe como sofro ao abordar alguns temas em Luzilândia, principalmente os políticos, mas não nego ao leitor as fontes primárias, os lados, as versões dos fatos, coisas raras em veículos de comunicação local, principalmente dos que se dizem “maiores e melhores”.


Então é isso, a imparcialidade não existe, o que deve existir é a responsabilidade e a ética do jornalista no trato com a notícia.  Hoje o capitalismo dita as regras, o profissional da comunicação precisa pagar suas contas e tudo passa a ter seu valor mercadológico, inclusive a notícia. Ok, mas a notícia como mercadoria pode e deve ser tratada dentro dos princípios da conduta ética e profissional, tendo como objetivo, acima de tudo, oferecer boa qualidade e satisfazer às necessidades de informação dos leitores com um produto fidedigno. Este aprendizado sobre o que é ético e o que não é não aprendemos somente nas escolas de comunicação, o senso ético deve nos acompanhar na vida e está relacionado com o comportamento moral do ser humano e sua postura no meio social. Mesmo assim, recomendo aos colegas uma lida sobre a temática no jornalismo.


 


Agradecimentos especiais aos meus mestres que me ajudaram a construir esse texto: Jacqueline Dourado, Américo Abreu e também Orlando Berti, que não tive o prazer de ter como professor, mas que me ensina com exemplos na Vida!!


Paula Andréas/Jornalista e Editora do Clica Luzilândia

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Blog/coluna Sou Jornalista por formação, comunicadora popular por opção e tenho um Site e Opinião. Resolvi opinar!
Paula Andréas, muito prazer! Essa é minha coluna no Clica!


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