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Piauí

10/04/2018 ás 21h22 - atualizada em 10/04/2018 ás 21h35

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Edição Paula Andréas

Luzilândia / PI

Policiais acusados da morte de menina de 9 anos participam de audiência em Teresina
Além dos dois réus e das vítimas, Daiane Caetano e Evandro Costa, pais de Emily, a previsão é de que sejam ouvidas ainda 10 testemunhas.
Policiais acusados da morte de menina de 9 anos participam de audiência em Teresina

ex-soldado da Polícia Militar do Piauí Aldo Luís Barbosa Dornel e o cabo Francisco Venício Alves participaram, nesta terça-feira (10), da audiência de instrução para decidir se os dois vão a Júri Popular pela morte de Emily Caetano, assassinada a tiros em uma abordagem da PM em dezembro de 2017 na capital. O julgamento aconteceu no Fórum Criminal do Tribunal de Justiça do Piauí e foi presidido pelo juiz Antônio Nollêto.




No final da tarde a audiência foi suspensa, para ser retomada no dia 8 de maio, devido a ausência de uma testemunha do crime que iria depor. De acordo com o promotor Régis Marinho na retomada da audiência deve ser ouvida a testemunha que estava ausente nesta terça-feira e os policiais acusados da morte de Emily.




cabo da PM foi indiciado apenas por fraude processual, por ter tentado alterar a cena do crime. Já o ex-soldado Aldo Luís foi indiciado por fraude processual, homicídio qualificado e tentativa de homicídio. A denúncia foi feita pelo promotor de Justiça Régis Marinho.







 

Pelo menos 10 testemunhas devem ser ouvidas durante audiência (Foto: Andrê Nascimento/G1)Pelo menos 10 testemunhas devem ser ouvidas durante audiência (Foto: Andrê Nascimento/G1)



Pelo menos 10 testemunhas devem ser ouvidas durante audiência (Foto: Andrê Nascimento/G1)






Hoje, além dos dois réus e das vítimas, Daiane Caetano e Evandro Costa, pais de Emily e também baleados na ação, a previsão é de que sejam ouvidas ainda 10 testemunhas. A primeira a depor foi a mãe de Emily. Ao G1, antes da audiência, ela contou que a irmã de Emily teve medo de ir à audiência.







"É uma tristeza muito grande, uma dor muito grande. Vem tudo à tona hoje, as irmãs sempre perguntam e ela [a filha mais velha] ainda pergunta, não entende e tem medo. Ela disse ‘mãe, eu tenho medo do policial fazer alguma coisa’. Mas eu disse que não vai. Com fé em Deus vai dar tudo certo, estamos levando", declarou Daiane.







 

Menina Emilly Caetano morreu durante abordagem policial (Foto: Arquivo Pessoal)Menina Emilly Caetano morreu durante abordagem policial (Foto: Arquivo Pessoal)



Menina Emilly Caetano morreu durante abordagem policial (Foto: Arquivo Pessoal)






Em depoimento ao juiz, ela disse não entender o que os policiais fizeram após os tiros. "Eu nem entendi o que foi aquilo. Eles ficaram lá, um conversando um com o outro, catando as balas, falando com outras pessoas. Fiquei sozinha lá, minha filha morta, meu marido baleado, e eu sozinha", contou ela ao mostrar a marca de um tiro em seu braço.




 



Defesa e acusação



 




Apenas a defesa de Aldo foi encontrada para comentar a denúncia. Segundo o advogado Wagner Martins, a defesa exige a comprovação de que o disparo que atingiu Emily partiu da arma de seu cliente.




“Ele afirma desde o início que disparou para cima. Essa é a versão dele, a verdade dos fatos. Aguardamos a perícia, a remessa da relação das armas que existem no estado. Aguardamos a remessa das impressões digitais e das raias de cada arma e a prova de que apenas a arma do Dornel seria capaz de imprimir aquelas marcas", declarou.







O ex-soldado e o cabo da Polícia Militar do Piauí acompanham a audiência lado a lado e demonstraram irritação durante o depoimento da mãe de Emily. Os dois chegaram a conversar entre si durante a audiência e foram repreendidos pelo juiz Antônio Noleto.




Já o advogado da família de Emily, João Marcos Parente, disse que o exame de microcomparação balística comprova que todos os disparos foram disparados pelo ex-soldado Aldo Barbosa Dornel. Contudo, a primeira audiência irá verificar se o cabo Francisco Venício Alves também teria participado ou não do crime.




"Todo crime doloso contra a vida, a exemplo do homicídio da Emily, é de competência do Tribunal Popular do Júri. O procedimento é dividido em duas fases. A primeira fase feita por um juiz singular serve para verificar se as pessoas que estão sendo acusadas têm indícios de autoria, que as conectam às práticas dos fatos. Confirmado isso, o juiz submete os acusados à segunda fase, em que eles serão julgados pelo plenário", explicou o advogado da família, João Marcos Parente.




O promotor Régis Marinho está confiante na impossibilidade de sustentação da tese da defesa. "As ranhuras são como a impressão digital de uma pessoa. Nenhuma arma produz as mesmas ranhuras no projétil. Saiu da arma do Aldo Dornel e o Ministério Público está tranquilo porque a perícia técnica é fortíssima", ressaltou Régis Marinho.




 



Crime



 







 

Carro onde estava a família foi alvejado várias vezes por soldado da PM. (Foto: Piauí TV 1º Edição)Carro onde estava a família foi alvejado várias vezes por soldado da PM. (Foto: Piauí TV 1º Edição)



Carro onde estava a família foi alvejado várias vezes por soldado da PM. (Foto: Piauí TV 1º Edição)









Emilly foi assassinada com dois tiros nas costas durante uma abordagem de policiais do 5º Batalhão da Polícia Militar na noite de Natal. Os pais da menina também foram atingidos, mas sobreviveram. O pai perdeu a audição de um dos ouvidos.



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