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08/04/2018 ás 22h27 - atualizada em 08/04/2018 ás 23h38

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Edição Paula Andréas

Luzilândia / PI

O triste fim da união “Pra Frente”
A decisão de separação entre vice e prefeito é fato de interesse público, pois atinge todo um processo democrático e o interesse do povo que é governado.
O triste fim da união “Pra Frente”
Foto Divulgação

Casamento é coisa séria! Política também, ou deveria ser. Ao pensar sobre o rompimento da vice-prefeita Jaqkeline Aguiar com o Prefeito Ronaldo Gomes, me veio à mente a metáfora entre casamento e coligação.  O casal ao consagrar matrimônio deve compartilhar, entre outras coisas, fidelidade, companheirismo, bons sentimentos e também, claro, interesses em comum, sem esses requisitos o matrimônio tende a fracassar. Coisa parecida acontece entre as coligações. No caso da coligação entre PMDB (partido de Jaqkeline) e PTC (partido de Ronaldo) em Luzilândia, para os cargos de Prefeito e vice- prefeita, a única coisa que os unia era um interesse em comum, na boca da oposição, tomar a prefeitura e acabar com uma oligarquia que durava mais de 30 anos à frente do executivo municipal.


Ronaldo Gomes, antes aliado da antiga gestão, líder dessa no legislativo, manifestou interesse em se tornar o próprio chefe do executivo. Jaqkeline também, mas como ela conta em sua carta de rompimento, apesar da preferência de seu nome para concorrer como Prefeita, após vários diálogos com as forças de oposição e, segundo ela, em nome da união, aceitou concorrer como vice. Um matrimônio que parecia forte aos olhos do povo, que resultou em uma campanha bonita, com direito a declarações em palanque, elogios mútuos, 'mãos dadas a caminho da felicidade', que se concretizou em vitória nas urnas.


De fato, o começo de toda união é linda ou deveria ser. Mas após o êxtase da conquista, após ‘juntar as panelas’ e ‘arrumar a casa’ chega a mansidão e é nela que as incertezas moram. Como vai ser? Como sobreviver? Se não houver sentimento, ideais e interesses em comum esse matrimônio tende ao fracasso. Uma relação a dois é complicado, imagine relações que envolvem interesses diversos entre os vários evolvidos de uma coligação, além do interesse principal, ou o que deveria ser, que é o interesse  do POVO, o qual esses representam. Um jogo de poder começa e alguém tem que ceder, quando isso não ocorre, o divórcio é inevitável.


O processo de separação é doloroso, as acusações são diversas. Por um lado, Jaqkeline afirma que foi traída, “fui enganada, como também toda população de minha terra, que vê mais uma vez a esperança de um amanhã melhor ser destroçado por pessoas que trabalham com o único proposito de se manter no poder e usufruir das benesses do mesmo para beneficio próprio”, afirma ela. Por outro lado, Ronaldo, representado por seus advogados, diz que o traído foi ele ao se juntar com um grupo que sempre teve em mente a separação na busca de um Golpe, visto que desde o inicio da Administração, sua vice deixou de manter um bom diálogo com os mesmos, por ter em mente benefícios e interesses próprios.


Acusações à parte, a decisão de separação entre vice e prefeito é fato de interesse público, pois atinge todo um processo democrático e o interesse do povo que é governado. O vice é o segundo na hierarquia do Executivo municipal. Não somente no caso do prefeito precisar se ausentar por motivo de viagem, licença, ou tenha o mandado cassado, mas no auxilio à administração, discutindo e definindo em conjunto a melhorias para  o município. Porém, isso parece ser o que menos importa para nossos representantes.


Jaqkeline afirma que mesmo rompendo continuará exercendo suas funções de vice, uma função que pelo próprio discurso dela nunca manteve por ser excluída pelo grupo do Prefeito. Já em sua resposta as acusações da vice, a cúpula do Governo de Ronaldo afirma que a mesma nunca exerceu tal função, por isso não fará falta e “(...) o governo permanecerá e subsistirá sem nenhuma ruptura de efeito em suas ações a favor do desenvolvimento de Luzilândia”.


 O que parece é que vice na política em Luzilândia é cargo único de campanha.


O que sabemos de verdade é que o que a campanha “Pra Frente” uniu, a gestão “Pra Frente” separa, e o objetivo conquistado com a consolidação nas urnas da preferência popular pode terminar junto com esse governo. Ronaldo e os seus têm menos de três anos para se organizar e mostrar serviço. Porém, com pouco mais de um ano, as críticas à sua gestão só aumenta. A oposição é forte e o rompimento com a sua vice, que já manifesta desejo de disputar a Prefeitura em 2020, só fortalece essas críticas. Ronaldo agora tem oposição fora e dentro do seu Governo e precisa encontrar estratégias para, se quer, pensar numa reeleição no próximo pleito.


Paula Andréas/Jornalista e Editora do Clica Luzilândia

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